Central do Brasil - Camila Natani e Luciana Alves
TÍTULO DA PUBLICAÇÃO:
Central do Brasil
AUTOR(ES):
Marcos Bernstein e João Emanuel Carneiro Walter Salles Jr.
LOCAL ONDE SE ENCONTRA:Brasil
DATA DE PUBLICAÇÃO:1998
PALAVRAS-CHAVE:
amizade
OBSERVAÇÕES: gênero: drama
NOTAS SOBRE O AUTOR:/RESUMO E ARGUMENTO
Walter Salles12/04/1956, Rio de Janeiro, RJO cineasta Walter Salles ajudou a dar novo impulso ao cinema nacionalDiretor, roteirista e produtor, Walter Salles foi um dos cineastas brasileiros responsáveis pela retomada do cinema nacional. Conseguiu também projeção internacional após receber duas indicações ao Oscar por seu filme "Central do Brasil", em 1998.Walter Salles cursou Economia na Pontifícia Universidade Católica, no Rio de Janeiro. Em seguida mudou-se para os Estados Unidos, onde fez mestrado em Comunicação Audiovisual na Universidade da Califórnia. Entre 1983 e 1993, no Brasil, realizou uma série de entrevistas para a televisão, além de especiais e documentários. Realizou também dois documentários sobre o escultor Franz Krajcberg.Junto com o irmão, João Moreira Salles, fundou, em 1987 a produtora Videofilmes. Entre 1989 e 1991 esteve à frente da produção do filme "A Grande Arte", baseado no livro de Rubem Fonseca.Em 1995, em co-direção com a cenógrafa Daniela Thomas, Walter Salles lançou "Terra Estrangeira", com boa aceitação da crítica e do público. O lançamento de "Central do Brasil", em 1998, ajudou a mudar a visão que o grande público tinha do cinema nacional. O filme se tornou um recordista de prêmios recebidos, e foi aplaudido nos festivais. de Cannes, Berlim e Havana. No mesmo ano, o média-metragem "O Primeiro Dia", foi premiado no Brasil.O trabalho seguinte de Walter Salles foi "Abril Despedaçado", baseado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré. Em 2002 Walter Salles produziu "Cidade de Deus", filme dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, e "Madame Satã", de Karim Ainouz. Em 2003 dirigiu o filme “Diário de Motocicleta”, baseado no livro de viagens de Che Guevara.Em 2005, Salles fez sua estréia hollywoodiana com "Água Negra", refilmagem de título homônimo do japonês de Hideo Nakata (o mesmo de "O Chamado"). No mesmo ano, com co-direção de Daniela Thomas, realizou o episódio "20ème Arrondissement", que faz parte do filme "Paris, je t'aime
João Emanuel CarneiroComeçou a colaborar aos catorze anos com o cartunista Ziraldo roteirizando histórias em quadrinhos.Aos vinte e dois, ele foi premiado como roteirista do curta-metragem Zero a Zero e optou definitivamente por esta profissão. Além deste, ele também colaborou nos roteiros de filmes como Central do Brasil, O Primeiro Dia, Cronicamente Inviável, Orfeu, Deus é brasileiro e Castelo Rá-Tim-Bum. Na TV, foi colaborador de Maria Adelaide Amaral nas minisséries A Muralha (2000) e Os Maias (2001) e de Euclydes Marinho na novela Desejos de Mulher (2002).A primeira novela como autor titular foi Da Cor do Pecado (2004), na qual contou com supervisão de texto do renomado novelista Sílvio de Abreu. Da Cor do Pecado foi um grande sucesso, a maior audiência entre as novelas das sete desde A Viagem, de Ivani Ribeiro, em (1994). O sucesso rendeu 43 pontos de média geral para a novela, audiência digna de novela das 21h.Em 2006 escreveu Cobras e Lagartos, levada ao ar em substituição à fracassada Bang Bang, de Mário Prata. Teve a missão, bem-sucedida, de recuperar a audiência perdida para a concorrente TV Record, que ganhava com o sucesso Prova de Amor, de Tiago Santiago, ex-colaborador em textos de novelas globais. E conseguiu, a novela fechou com 39 pontos de média geral, sendo assim a segunda maior audiência do horário das 19h deste século, perdendo apenas para Da Cor do Pecado, a novela do mesmo autor. Em 2008, escreveu a novela A Favorita, sua primeira novela das 21h, que teve 197 capítulos, acabando em 13 de janeiro. A promoção de horário deve-se ao fato que ter feito os dois maiores sucessos da década no horário das sete: Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos. João Emanuel Carneiro é irmão paterno da atriz Cláudia Ohana, que já participou de duas de suas novelas: Da Cor do Pecado, numa participação especial e em A Favorita como a caminhoneira Cida.Atualmente, João Emanuel Carneiro que quando escreveu Da cor do pecado foi supervisionado por Sílvio de Abreu, irá supervisionar a primeira novela de Thelma Guedes e Duca Rachid no horário das seis com o título definitivo de Cama de Gato que substituirá Paraíso.
Marcos BernsteinNascido no Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1970, Marcos Bernstein Seixas é roteirista e diretor. Iniciou sua carreira no cinema como assistente de direção. Seu primeiro roteiro de longa-metragem filmado foi Terra Estrangeira (1995), escrito em parceria com Walter Salles e Daniela Thomas. A parceria com Walter e Daniela continuou com Central do Brasil (1998), um dos maiores sucessos do cinema nacional, vencedor de diversos prêmios ao redor do mundo. No mesmo ano, escreveu o documentário Pierre Verger, Mensageiro de Dois Mundos (1998). Marcos escreveu também Oriundi (1999), O Xangô de Baker Street (2001) e colaborou com o roteiro de Casseta e Planeta - A Taça do Mundo é Nossa (2003). Recentemente estreou na direção com O Outro Lado da Rua (2004).
ESTRUTURA (organização da obra e o significado das suas partes)
Introdução/Apresentação: Central do Brasil é um filme que mostra várias realidades brasileiras , mais especificamente a história de um pobre menino em busca do pai. A história inicia-se com Dora (Fernanda Montenegro), em que esta escreve cartas para analfabetos no Central do Brasil. Nos relatos que ela ouve e transcreve surgem histórias fascinantes de diversas regiões do Brasil, em sua maioria de uma população que vem tentar a sorte na “cidade grande” mas que ainda tenta manter os laços com os parentes e o passado. Uma das clientes de Dora é Ana, que vem escrever uma carta o pai com seu filho, Josué (Vinícius de Josué), um garoto de nove anos, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Na saída da estação,Ana é atropelada e morre, Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino e envolvendo-se com ele.Termina por levar Josué para o interior do nordeste à procura do pai. À medida que vão entrando país à dentro, estes dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando e criando um imenso laço fraternal entre eles. Começa então uma viagem fascinante ao coração do Brasil, à procura do pai desaparecido, e uma viagem emotiva à essência e os desejos mais profundos de cada um dos personagens.
Desenvolvimento:
Síntese: O início do filme Central do Brasil se passa na estação rodoviária no subúrbio do Rio de Janeiro, onde circulam pessoas de todos os tipos de lugares do Brasil. Dora personagem vivida por Fernanda Montenegro, uma professora aposentada, sem valores, sem ética, que pensava apenas em sua sobrevivência e que aproveitava da ingenuidade das pessoas que acreditavam que ela escrevia e enviava as cartas. Cartas estas, em que estas pessoas relatavam e confiavam suas histórias de vida à Dora expressando todos os tipos de sentimentos que sentiam. Em uma dessas cartas foi relatada a história de Josué, por sua mãe Ana, onde o menino sonhava em conhecer o pai e através de Dora por suas cartas que escrevia pedia a ele para vim conhecer o menino. A vida de Josué muda drasticamente após um acidente com a mãe dele logo após terem deixado a estação rodoviária onde ali foram pedir à Dora para escrever a carta. A mãe do jovem menino morre e ele se torna sozinho ali no Rio de janeiro. Josué passa uma noite sozinho na estação e no outro dia após mais um dia de trabalho, Dora chama o menino para ir até sua casa pois por menor que fosse havia ficado com dó dele. Dora ainda apresentava desvio de personalidade, onde logo ao executar esse ato de compaixão em relação ao menino o “vende” a um casal onde diziam caminhá-lo para adoção, porém o que apenas importava para Dora era o dinheiro que receberia e poderia comprar uma televisão de controle. Após Dora ter cometido esse ato de egoísmo, Irene, sua vizinha e melhor amiga, descobre que Dora havia entregado Josué ao casal e que este não entregava crianças nenhuma para instituição de adoção e sim faziam parte de um comércio de tráfico de órgãos para transplante. Dora sabendo disso fica de consciência pesada e volta ao apartamento do casal para pegar Josué, em que acaba tendo que sair fugida do casal pelo fato de já ter recebido o dinheiro antes. Neste momento Dora resolve fugir para o nordeste com Josué à procura de sua família. No início da viagem os dois passam por um período de rejeição por ambas as partes, mas ao longo da viagem criam um elo de amizade e ajuda mútua. A medida que as dificuldades da viagem aumentam os dois se tornam mais companheiros e descobrem sentimentos de amor e confiança um pelo outro. A busca pelo pai de Josué torna-se cada vez mais incessante e difícil, buscam diversos lugares em que ele já esteve mas não está mais, até que finalmente em um pequeno vilarejo encontram os irmãos de Josué que também esperam pelo pai que saiu e nunca mais voltou. Josué fica muito feliz por enfim encontrar algum membro da família, Dora também fica feliz mas sente que sua missão já havia sido cumprida e então decidi logo ao amanhecer sem ninguém perceber voltar ao Rio de Janeiro. Josué acorda minutos depois de Dora ter saído de casa e logo que percebe sua ausência corre em direção ao ponto de partida do ônibus, mas chega tarde demais, Dora acabará de pegar o ônibus, Josué corre por um longo tempo atrás do ônibus já sentindo a falta que Dora iria fazer em sua vida, pois afinal a amizade que haviam criado não tinha palavras. Dentro do ônibus Dora escreve uma carta para Josué, dizendo e acreditando na esperança de Josué ainda encontrar o pai, na carta Dora relembra as situações em que viveram na viagem, como a primeira vez que Josué colocou a mão em um volante de caminhão, diz ainda que quando ele quiser lembrar dela para olhar o retrato que tiraram juntos em uma de suas aventuras pelo nordeste, pois ela tinha medo que Josué a esquecesse como o pai dela havia se esquecido. Finalizando então na cena mais emocionante do filme onde Dora e Josué percebem que levarão para sempre um e o outro no coração.
Pontos fracos e fortes do documento
Logo no início do filme é relatado na estação de metrô do Rio de Janeiro várias realidades marcadas pelas desigualdades sociais (competição pelo mercado de trabalho, luta pela sobrevivência, violência, analfabetismo, execução de menores, impunidade, corrupção, tráfico, assalto, suborno e desemprego) sendo este um ponto fraco do filme mostrando aspectos negativos da sociedade. No filme a professora tinha o conhecimento científico, mas não possuía os valores que são fundamentais para dar sentida a vida.No relacionamento professor-aluno, também se observa esse processo de ensino aprendizagem, pois muitas vezes o professor pode aprender e não somente ensinar o aluno. É o que acontece entre Dora e Josué Josué apesar de criança, tinha valores ensinados por sua mãe e mostra a Dora a importância desses valores, despertando sua consciência,sem do assim este um ponto forte do filme , um aspecto positivo do filme.
Conclusão:
"Central do Brasil" é um filme exemplar no que se refere a sua capacidade de nos emocionar e mobilizar perante situações críticas pelas quais passam milhares (ou milhões) de pessoas em vastas áreas de nosso país. Permite-nos dissertar sobre o tema, comparar diferentes realidades, identificar paisagens, entender o sentimento religioso dessa população humilde e nos posicionar perante grandes problemas nacionais. Além de nos comover com uma linda história de amizade entre duas pessoas tão diferentes de opiniões, ideais, histórias de vida e principalmente pela diferença de idade . Porém os dois descobrem que cada um pode usar o que aprenderam de bom da vida e compartilharem nesse período que permanecem juntos na viagem.
AUTORES/PERSONAGENS/ESCOLAS DE PENSAMENTO
Principais Autores Citados ou eventuais Protagonistas identificados no texto:
Fernanda Montenegro- Dora, Marília pêra- Irene, Vinícius de Oliveira- Josué, Soia Lira- Ana, Othon Bastos- Cezar, Matheus Nachtergaele- Isaías, Caio Junqueira- Moisés, Otávio Augusto- Pedrão, Stella Freitas- Yolanda.
Escolas de pensamento mencionadas no texto
Skinner- Dizia que os homens agem sobre o mundo e o transformam, por sua vez, transformados pelas consequências de suas ações.Piaget-Para explicar o desenvolvimento intelectual, partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adptação ao meu físico e organização do meio ambiente, sempre procurando manter um equilibrio.Assim Piaget entede que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico para ele a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do osganismo.Vygotski e Leontiev-Concebendo o ser humano como manifestação de uma totalidade histórica e social, vem a linguagem como fundamental para o desenvolvimento da consciência de si e social de individuo, a qual se processo através da linguagem de pensamento e das ações que o homem realiza ao se relacionar com os outros homens.
REFERÊNCIAS HISTÓRICO-CULTURAIS (tempo, espaço, factos históricos: contextualização)
O filme mostra a realidade do Brasil no final do século XX, caracterizando principalmente as condições de vida no subúrbio de uma cidade grande em um país subdesenvolvido.A massa de migrantes nordestinos, que desde o início do século abandona o sertão em busca de melhores oportunidades na cidade, aumentou o contingente de miseráveis nos centros urbanos, que os trata como descartáveis, entregando-os ao tráfico e assalto, como alternativa para sobrevivência.O crescimento econômico dos últimos 20 anos não repercutiu igualmente nas diversas classes sociais, sendo que as conseqüências negativas desse processo, atingiram duramente grande parte da população, geralmente a mais pobre e mais sofrida.A crescente concentração de riqueza, o salário mínimo vergonhoso, o desemprego, o aumento da pobreza e da miséria, a falta de saneamento básico e de assistência à saúde, fazem parte das situações trágicas vividas na carne pela população mais pobre, com a qual nos deparamos em nosso cotidiano.
RECURSOS DE ESTILO E LINGUAGEM (forma, conteúdo, nível de rebuscamento e de profundidade científica, etc.)
O filme apresenta uma linguagem acessível (informal) ao grande público brasileiro, porém a trama não deixa de ser inteligente, afinal de contas, popular não quer dizer culturalmente pobre, dispondo de recursos visuais, lingüísticos, de fotografia, cenografia, vestuário ou música. O conteúdo é bastante abrangente, contendo cenas cotidianas e histórias e depoimentos verdadeiros, é uma história fácil de ser compreendida por qualquer nível de formação cultural e escolar.
CONCEITOS (temas, problemáticas)
Teoria do comportamento para Skinner se baseia na idéia de que o aprendizado ocorre em função de mudança no comportamento manifesto. As mudanças no comportamento são o resultado de uma resposta individual a eventos (estímulos) que ocorrem no meio. Uma resposta produz uma conseqüência, bater em uma bola, solucionar um problema matemático assim podemos relacionar essa teoria com o filme central do Brasil um filme que também trás um pouco de sofrimento por partes de dois personagens!!Central do Brasil é um filme que se presta ao exame do fenômeno do trauma psíquico e de seus desdobramentos por um vértice psicanalítico. As duas figuras centrais do filme - Dora e Josué - são vítimas de situações traumáticas, ambas relacionadas com a ausência do pai, cada uma a seu modo. Ainda que distintas, elas, em certos momentos, se confundem. Caminham juntas até um desfecho final, que devolve a seus personagens certa dignidade e certo reencontro com a plenitude de sua condição humana.Josué tinha nove anos e queria muito conhecer Jesus ,já Dora tinha cinqüenta anos,escrevedora de cartas, primária e aposentada. Dora, no entanto, não tinha para quem escrever. Sua mãe havia morrido quando ela tinha 9 anos, pouco depois do pai ter abandonado o lar. Ele era maquinista e ela ainda se lembrava, emocionada, do dia em ele a levou na cabine de comando do trem e deixou que ela tocasse o apito da locomotiva ao longo de uma de suas cotidianas viagens de trabalho.Tal como Josué ela também ansiava por encontrar o pai, a quem já não via desde pequena. Depois de ter saído de casa, aos 16 anos, inesperadamente, ela o viu um dia na rua e,temendo, foi ao seu encontro, esperando ser reconhecida. Ele, no entanto, a tomou por uma jovem prostituta e lhe dirigiu os galanteios de praxe, algo embriagado. Dora o repeliu e se afastou dizendo ter se enganado. Aos traumas dos abandonos precoces: a mãe por falecimento e o pai que arranjara outra mulher, somou-se mais este impacto, o de não ter sido reconhecida pelo próprio pai, que a tomara por aventureira. Este último episódio traumático deve ter resignificado (nachträglichkeit) e magnificado seus episódios traumáticos anteriores. Dora se tornou portadora de uma Neurose Traumática que modificou por inteiro o seu comportamento. A incidência do trauma sobre sua vida afetiva e sexual fez com que sua condição feminina sucumbisse ao peso de uma enorme repressão.Como problema a gente vivencia uma situação que Dora vai desenvolvendo vários problemas traumáticos pelo abandono e pelos traumas Skinner dizia o problema sempre tem solução no casou ela aceitou opiniões e levou o menino ao encontro do pai. Skinner dizia o problema sempre tem solução no casou ela aceitou opiniões e levou o menino ao encontro do pai . A busca ao pai de Josué retoma seu curso até nova briga já nas imediações de uma feira junto à qual tem lugar uma missa em louvor de Jesus e seu Pai (Deus), a quem todos imploram proteção. Esse é um ponto de encontro entre as buscas de Dora, Josué e uma população nordestina procurando por uma figura protetora, um pai. Josué e Dora estão famintos e sem dinheiro. Ela se desespera e se maldiz por ter aceitado a tarefa de conduzir Josué ao encontro de seu pai. E diz mais: que ele era uma desgraça em sua vida, tal como Ana, a mãe de Josué, lhe ditara em sua primeira carta a Jesus. Nesta breve identificação com Ana, Dora deixa patente que a missão de conduzir um filho a um pai denegrido é uma tarefa árdua, que envolve até o risco da vida como aconteceu a Ana, que morreu atropelada.O menino dispara por entre a multidão de fiéis que orava e Dora o segue gritando por seu nome até perder os sentidos. É o próprio Josué que retorna e a encontra desmaiada. Acolhe-a até que desperte e se reconciliam. No plano da fantasia, é como se estivesse recuperando a mãe atropelada. Descobrir e admitir que se querem, apesar das brigas, dá início a uma transformação em ambos, que já passam a se tratar de modo mais amistoso. Ela fica mais carinhosa, mais feminina. Josué descobre um jeito de fazê-la ganhar dinheiro escrevendo cartas, que desta vez serão entregues. Ele a presenteia com um vestido. Dormem na mesma cama de um quarto de Hotel até que amanheça o dia de tomar o ônibus que os levará à casa de Jesus. Um diálogo erótico de marcadas características edipianas precede o beijo maternal com que Dora se despede de Josué, com um boa-noite. A vida emocional de ambos vai gradativamente se recompondo. E Dora começa então a contar a Josué pedaços significativos de sua vida, nos quais se inclui aquele malfadado encontro com o pai, agora verbalizado, e por isso mesmo em pleno processo de elaboração. Por fim ela convida Josué a voltar com ela para o Rio de Janeiro, caso não encontrem Jesus. Chegados a Bom Jesus do Norte terminam por encontrar a casa onde residem os dois outros filhos de Jesus: Isaías e Moisés. Jesus está ausente, mas uma carta enviada por ele fala do seu desejo de voltar e reencontrar Ana, que ele não sabia já estar morta. Ao ler a carta Dora inventa, de maneira mal disfarçada, que Jesus também quer conhecer o menino. Ainda meio desconfiado Josué termina por crer ou por querer crer que o pai desejaria encontrá-lo. Ele prefere agora esperar pela volta do pai apesar de se terem confirmado as informações de que ele era mesmo um cachaceiro. Ele já aceitava um pai menos idealizado do que aquele a quem sempre se referia aplaudindo suas qualidades de marceneiro, num tom exaltado, meio caricatural. Vivenciamos outra situação no filme também que nos mostra uma teoria do comportamento onde Fernanda Montenegro tem uma atuação simplesmente absoluta neste filme. O `aprendizado de sua personagem é transmitido de uma maneira tão inteligente que não há como deixarmos de comemorar cada nova vitória, cada pequena alteração em seu comportamento. Nós crescemos com Dora. Além disso, temos as belas atuações de Marília Pêra, que cria uma personagem curiosamente ingênua em meio ao caos e à amargura que imperam em Central do Brasil; e de Othon Bastos, que consegue, durante o pouco tempo em que aparece na tela, deixar uma impressão profunda na mente da platéia graças a seu carisma e à sua gentileza. Mas não posso deixar de destacar o brilhante trabalho de Vinícius de Oliveira. É impressionante o talento deste garoto. Basta citar o momento em que ele vê um homem, que acredita ser seu pai, se aproximar. Ele engole em seco, arqueja quase imperceptivelmente e se cola à parede. São detalhes muito sutis, mas que recheiam toda a atuação do menino.
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